Então o irmão chegou-se perguntou: -Porque tanta distância entre um mergulho e outro? E lhe respondi: - Se você estivesse ainda lendo o quarto mergulho com certeza saberia. Essa é uma realidade que todos nós enfrentamos, em nossas vidas, queremos mais quando ainda não usamos o que temos na mão, no prato, no guarda roupa, na garagem, na despensa, na conta bancária, na sapateira. E muitas vezes fazemos isso com outras coisas, como o conhecimento de Deus. Deus é infinito em sua Sabedoria, porém enquanto não desfrutamos da nossa porção de cada dia, do pão nosso de cada dia, da nossa porção de Maná, de mel o quanto nos basta, não devemos nos apressar em prover mais, armazenar, estocar,poupar. Essa filosofia mercantilista é sutil. Outro dia uma irmã me escreveu dizendo que refletir sobre Naamã, tem dado a ela argumentos irrefutáveis contra algumas doutrinas. Escrevi de volta, que ela deveria ter buscado em Naamã, argumentos irrefutáveis contra o próprio pecado, contra a própria natureza caída, contra sua própria religiosidade julgadora, e condenatória de si mesma. É com a medida que você mede que você será medida, os argumentos humanos ditos irrefutáveis não valem nada sob a Sabedoria e soberania de Deus. Nosso propósito aqui não é este! Se ela não havia ainda recebido do Espírito Santo a revelação do propósito dessa reflexão, deveria voltar ao primeiro mergulho, e ficar calada nas margens do Jordão, e depois mergulhar também sete vezes setenta, e quem sabe o Senhor teria Misericórdia. Quem se acumula de argumentações, usando argumentações alheias apenas para mostrar “conhecimento” acaba por ser julgado pelas próprias argumentações. Não se torne o acusador dos seus irmãos, para não se tornar seu próprio diabo, seu próprio satanás. Desnude-se minha irmã, desnude-se meu irmão. Procure uma poça de água espelhada na margem do Jordão, olhe-se, mire-se, depois se levante e vá mergulhar também.
Eu estou logo ali abaixo, dando os meus próprios mergulhos. Mergulhando, não para buscar argumentações contra doutrinas, mas para me limpar das auto-doutrinas miseráveis que encontro em mim mesmo. É interessante como as pessoas querem se encher desse conhecimento maluco pra sair detonando tudo. Meu maior problema é essa religiosidade miserável que me preenche, com a qual eu quero me justificar diante de Deus e dos homens. Oh, lepra terrível que carcome minha alma, é dela que preciso me esvaziar, me lavar, me limpar. É por essa razão que prefiro mil vezes ficar calado dias, semanas, meses e se me permitisse Deus, anos, ou a vida toda diante da Cruz vazia, para nunca esquecer-me que ali é o meu lugar, crucifixado nela, juntamente com Cristo, negando a minha própria vida, para expressar a dEle.
Sente-se com Naamã, à margem do rio Jordão, o “rio que Desce”, sinta-se leproso, faça todo o angustiante caminho até a Samaria... Reveja as expectativas do encontro com o profeta, cujo rosto ainda não conhece... Passe por todas s promessas que você mesmo ainda não alcançou da parte do Senhor, e pelas quais tem orado, e sobre as quais tem testificado, mas ninguém ainda viu acontecer em sua vida... Sente-se ali ao lado de Naamã, descanse um pouco, olhe para o semblante dos seus criados, dos seus soldados... Veja os curiosos que se reuniram para observar o grande leproso de Toda Síria, o maior “pagador de mico” de toda história... Imagine os jovens samaritanos, mutilados de guerra, olhando aquele conquistador fazendo aquele papel idiota... Acreditando na piada do profeta... A esta altura do campeonato, Naamã Zero, Samaria 4... “Quanto riso, oh quanta alegria, temos um palhaço no Jordão!” o fato daria samba pro carnaval samaritano! – “Estava a toa na vida, o profeta me chamou, pra ver Naamã mergulhar querendo a lepra curar”, olha que seriam muitas as canções... o povo gostava muito de fazer troça com essas coisas, lembra de Davi, Golias e Saul? – “Saul matou mil, Davi matou seus dez milhares!”; tudo virava musica...os Salmos é uma mostra desse aspecto cultural .Naamã corria o risco de se tornar alvo de uma grande piada internacional.
Curioso é que fizeram canções para Davi, porém hoje nos encontramos fazendo canções para nós mesmos:
- “Eu sou o Bom, sou o Bom sou o Bom. Eu sou o Bom, sou o Bom sou o Bom”
“Bom é só o Pai!”
Mas Naamã, esta movido por outra força agora, descobriu dentro de si uma motivação. Descobriu que os grandes homens, também estão sujeitos a corrupção da morte, das enfermidades... Ele já sabe que vai continuar mergulhando, mergulhando,mergulhando até que a cura ocorra... E a vida brote de seu interior.
Como Enos, o mortal, Naamã também mortal, precisa apreender a invocar o nome do Senhor!
Já não esta mais olhando para fora de si, para o seu corpo, para sua força, para sua potencialidade bélica. Sabe que a grande questão agora não é mais o exterior do copo, mas o interior. Sabe que sua vestidura de guerra, é apenas a pintura exterior de uma sepultura que esconde dentro dela a carniça podre da natureza humana... Não havia melhor estratégia do profeta que essa, deixar o grande homem consigo mesmo, fazer com que o grande homem da Síria, expusesse sua própria nudez diante dos seus servos, até que não mais tivesse vergonha dela, até que tivesse se conscientizado que nu nasceu diante de Deus, que nu estava diante de Deus, que o Altíssimo conhecia a nueza da sua alma, mais leprosa que a nudez de seu corpo podia mostrar... “Deus não vê como vê o homem, o homem vê o exterior, mas Deus vê a alma”, o profeta sabia disso, todos os profetas sabem disso, e os que não sabem não são profetas, e Naamã não é profeta, mas precisa saber, precisa experimentar, precisa conhecer e viver essa realidade.
Fico a imaginar, Naamã levantando-se pela quinta vez. E caminhando em direção à margem do rio. Passos firme, lentos e seguros, expondo sua nudez...
Olhando as águas correntes e preparando-se para o mergulho... Ainda é o quinto mergulho... Ou, já é o quinto mergulho? Pouco importa! É a vida dentro de si que está buscando!
Daniel jejuou por 21 dias, ao cabo deles o Senhor lhe disse:- “Quando te dispuseste a orar, enviei o meu anjo...” – a resposta foi dada, quando houve disposição!No primeiro dia, no primeiro momento, quando ele determinou orar, o Senhor respondeu. Deliberação imediata.
Naamã. Um só mergulho bastaria. Caminhar nu para as margens do Jordão seria o suficiente. Seria o bastante, era tudo o que Deus queria, mas você é quem necessitava dos sete mergulhos! Deus sabia o quanto você necessitava disso. Ele sabe quanto tempo devo esperar a promessa.
Olhem o que Pedro diz a respeito desse tratamento de Deus: -******
Deus não trocou a resposta a Daniel pela sua fome, respondeu antes!
Deus não curou a lepra de Naamã porque ele mergulhou sete vezes, pois podia fazer isso sem mergulho algum. Essa não era a questão, Sete vezes, cinco vezes, dez vezes, mil, vezes, setenta vezes sete... Pouco importa e Naamã já esta desconfiado disso... Aleluia.
Eu já aprendi que Ele é Soberano, que Ele é Senhor Absoluto, e que é sua Graça quem me alcança e não o meu sacrifício que o comove!
Não há comércio com Deus! Comércio é com lúcifer, com satanás! Com ele sim é que ocorrem esses “toma lá e da cá”, essas promessas malucas, esses faquirismos modais, que contrariam sua vontade, como menciona em Isaias 58... “Para no mesmo dia fazerem cobranças”. É, jejuam de manhã e cobram à tarde. Só faltam proclamar: - “porque jejuamos e tu não nos ouves?” – leiam Isaias 58 e vejam a resposta.A religiosidade é uma lepra terrível, certa vez um irmão disse que para que o batismo tivesse efeito sobre o Pecado, era preciso mergulhar a pessoa sete vezes, na água!
Eu respondi:
“-” É verdade irmão, depois a gente pega um cordeirinho, corta o pescoço dele e joga o sangue sobre o irmão!
Então ele falou que eu estava zombando dele! Parem com suas loucuras!A religiosidade é um espírito, uma potestade das mais cínicas que existe. Ela não cai estrebuchando no chão, no meio dos cultos! Ela sobe nos púlpitos, canta nos corais, prega nas ruas, faz campanhas, jejua, frequenta as reuniões de orações, dá o dízimo e até briga com quem não dá, escreve livros, toca na banda. Usa terno, gravata, roupa discreta. A religiosidade é um espírito, uma potestade, dominadora, que se veste de piedade, que tem cara de santidade. Este espírito domina a razão religiosa, engrandece a alma de quem o possui e é possuído por ele.
É uma praga enraizada no mais intimo da alma humana, e que torna o crente um dissimulado. Incapaz de reconhecer sua própria miséria, mas capaz de julgar, de condenar, de mandar pro inferno gente igualzinha a ele mesmo, e com medo terrível de ser condenado se esconde sob comportamentos legalistas, e ainda tem coragem de dizer: - “está escrito!”. – A religiosidade nos torna analfabetos almaticos e cegos espirituais.
É uma praga enraizada no mais intimo da alma humana, e que torna o crente um dissimulado. Incapaz de reconhecer sua própria miséria, mas capaz de julgar, de condenar, de mandar pro inferno gente igualzinha a ele mesmo, e com medo terrível de ser condenado se esconde sob comportamentos legalistas, e ainda tem coragem de dizer: - “está escrito!”. – A religiosidade nos torna analfabetos almaticos e cegos espirituais.
Torno a repetir o que disse Jesus: - “as prostitutas vos precederão no Reino...”.
Isso faz contorcer a ala de todos os fariseus!
- Escutem aqui! Vocês sabem o que diz a lei a respeito desses imundos? É esses que não tem acesso ao sacerdócio, ao Átrio, as Vestes sacerdotais! Esses que ficam no Átrio Exterior? Èh, os leprosos, os cochos, os cegos, os imundos, os purulentos, os estrangeiros,... Então toda essa raça leprosa? Essas prostitutas esses desviados, esses homossexuais, (pensaram que eu não ia escrever isso?), pois é, EU, PORÉM, VOS DIGO; ELES, ENTRARÃO DIANTE DE VOCES NO REINO, E O FARÃO PELA PORTA! –Então, cheio de autojusticismo religioso, ouvindo essas palavras, me vi pior que eles. Outro dia, conversando em casa de um conhecido, um irmão disse que era descendente orgulhoso de uma família européia cujos antepassados estiveram ao lado de Lutero, na época da Reforma. Então evocou sobre si a condição de descendente de “Finéias” e o status de “sacerdote para sempre”, pois assim como Finéias seus antepassados com Lutero zelaram o zelo de Deus.-SURTADO!
Vê como somos miseráveis? Queremos nos justificar até sob o fruto alheio! Usurpadores das bênçãos sob a Lei, desprezamos as maravilhas da Graça. Desprezamos a Mesa Santa, para nos alimentarmos de “pão comum”!Desprezamos o Sacerdócio de Cristo, e nos atrelamos ao sacerdócio de Finéias.
Temos o Rio da Vida, e queremos os Tietes do Mundo!
Temos a Excelência da Cruz diante de nós e queremos os Tronos das Glórias Humanas e Terrenas! Ousei mergulhar com Naamã! Não quero ser rude com ninguém, é a mim mesmo que esmurro, não como um maluco, doido, que se auto-penaliza como um sádico, muito pelo contrário, buscando ser eu mesmo aprovado, como um atleta em busca da vitória, da coroa de Glória, do meu lugar no pódio...
Estar consciente que “prostitutas” me precederão no Reino, que entrarão adiante de mim, me desafia a consciência de que no mínimo o que posso admitir é que o primeiro lugar é delas, é deles, os Naamãs desse mundo.
Não se ofenda! Continue lendo! Assim que sair desse mergulho, nós vamos para o sexto mergulho. Outro dia, um pastor enviou-me um e-mail, dizendo :
- “ estou mergulhando umas dez vezes em cada mergulho..”
Então vamos para o 60° mergulho, meu irmão?
ESCREVAM-ME.
se VOCE NÃO RECEBEU O MERGULHOS ANTERIORES, PEÇA-ME QUE EU TE ENVIO...ABRAÇOS.
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