Não faz muito tempo, que passando com meu filho Ishael, pela porta de um grande e suntuoso templo católico,na cidade onde estamos morando, fui surpreendido com a pergunta: - Pai de quem é essa casa?
Não querendo polemizar com o garoto de apenas 5 anos, respondi logo: Esta é a casa de Deus!
Segurando em minhas mãos, bem firme, ele me olhou e disse:
- Pensa que eu sou bobo, pai? Deus e muito grande! Ele fez todas as coisas, e não cabe nessa casinha não, ele é muito maior que ela! Você já me ensinou isso!
Eh...! Ele só tem 5 anos.
Talvez tenha aprendido a lição com muito mais precisão que nós adultos, que ainda insistimos na mantença de nossas instituições e de nossos “portos seguros”, aquela necessidade de estarmos inseridos em algum contexto que represente aceitação, segurança... De pertencermos a alguma coisa... E nosso orgulho de pensarmos que estamos fazendo algo importante para Deus.
Receber o Reino como uma criança, esta muito além da nossa capacidade de arrazoamento...
Receber o Reino como uma criança implica num despojamento do raciocinar em favor de si mesmo, em defesa dos seus sentimentos, pensamentos, opiniões, conceitos e preconceitos... Até por causa da presença do Reino em si, dentro de si... Por isso é re – ceber, no sentido de “conceber outra vez”, “acolher de novo”, e acolher de novo aquilo que já está acolhido, isto é, mais intimamente ainda... Eu diria com muita segurança, que é como dizer:
- “a criança ama com mais intensidade aquilo que ela já ama naturalmente, e se nós não amarmos dessa forma, o Reino de Deus, de maneira nenhuma entraremos nele”.
A compreensão, a recepção da grandeza, da majestade de Deus, no coração da criança, não pode concebê-lo morando em uma Casa de barro, entre paredes erguidas pelas mãos dos homens!
–Deus não habita em templos feitos por mãos de homens!
E quando isto esta recebido no espírito, à criança reage às sutilezas do “engano” e do “enganador”, não se “engana” e não se permite “ser enganada”.
Daí a reação:
-“você pensa que eu sou bobo pai!”.
De igual maneira, o Reino de Deus, não se limita ao que pode alcançar esta ou aquela instituição, nem tão pouco pode ser administrado por um conjunto de princípios estatutários vinculados aos processos e conceitos humanos de democracia. Muito menos ao imperialismo pastoral, que tem se estabelecido sobre a força do medo e do terror místico dos que se escondem por trás da afirmação: - “sou um ungido de Deus!”. Tendo isso na verdade como usurpação, exercendo domínio sobre homens e homens em nome de uma Liberdade que nem mesmo eles alcançaram.
As instituições em si são neutras, os homens que as idealizam e que as estruturam, esses sim movidos por ambições e paixões humanas, corrompem Igreja e Reino, ainda que esses não possam se corromper na essência, manifestam-se por pseudas agencias que investem mais na autopromoção que na expansão do Reino de Deus.
Bater na tecla que a Igreja perdeu seu sentido nos últimos 1600 anos, é perda de tempo, uma vez que os sinceros e retos de coração, intuem no espírito que a Igreja esta além do templo, além da placa, além do sistema organizacional. Além dos idealizadores humanos, dos algozes mentores de um processo que culmina não na expressão do Cristo na Terra, mas no esmagamento da verdadeira essência do cristianismo do Sermão do Monte, que muito mais que uma filosofia é uma verdadeira forma de vida, fé e pratica.
Dizer que o sistema a que o cristianismo se vê condenado nestes últimos anos, se corrompe pela busca materialista da prosperidade humana e existencialista, também é uma grande perda de tempo, uma vez que se pode perceber o surgimento de uma expressão onde o ter é mais importante que o ser. Segue a instituição o modelo social neoliberal que esmaga o pobre, extingue cada vez mais a classe média e enaltece a riqueza, o capitalismo, a ainda promove a distorção da palavra para justificar a busca dos bens e das posses, como se fossem sinais de Deus na vida dos seus filhos...
Falar da contextualização na qual a ética dos valores, da moral, do bom senso, enfrenta a esmagadora avalanche das corrupções morais que invadem as sociedades modernas, com a libertinagem cultural, com a valorização do chulo, do promíscuo, do escândalo, do libertino, seria apenas ressaltar o que diante dos olhos de toda humanidade esta evidente.
DEUS NÃO HABITA EM TEMPLOS FEITOS POR MÃOS DE HOMENS.
É uma declaração que vai muito além da idéia de paredes e estruturas materiais. DEUS não se manifesta nesse sistema institucional falido e corrupto que se espalha pelas nações com o nome de “cristianismo”, ao qual nem o próprio Cristo pode reconhecer, em nossos dias.
Nenhuma estrutura humana pode conter o Senhor da Glória, da Verdade, da Liberdade Verdadeira, da Vida, do AMOR.
Nosso propósito é levá-lo a orar, meditar e repensar seu modelo de Igreja, sua visão de Reino.
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- Queridos (as) irmão (ãs)
Questionados a respeito de nossa vinculação a algum grupo ou denominação, somos agredidos com palavras que nos tarjam de rebeldes e insubmissos, porém não nos vemos agredindo ou nos insurgindo contra a ordem, e contra aquilo que é decência na Casa do Senhor, antes e pelo contrario, nos vemos preocupados com a desordem e o caos que se instaurou em meio aos irmãos que professam a Igreja. Se não fosse João ousado para romper com seu tradicionalismo educacional religioso, deixar suas suntuosas vestes sacerdotais, e seu ambiente religioso e declarar a proximidade do Reino de Deus, não cumpriria ele a vontade de Deus em seus dias. Nosso único propósito é este mesmo, chamar os irmãos à reflexão quanto a verdadeira expressão da Igreja, em nossos dias...
O que colhemos dessa liberdade tem sido a incompreensão, a critica, o desprezo e até mesmo o escárnio, porém continuamos firmes nesse propósito de busca da uma REGENERAÇÃO verdadeira, genuína, reta e honesta diante do Pai..
Amamos a Igreja e consequentemente amamos aqueles que estão inseridos nela, não por seus próprios méritos, mas pelo sangue do Cordeiro, e amamos aqueles cujas vidas estão carentes dessa tão grande verdade, do AMOR DE DEUS EM CRISTO JESUS!
Abraços.
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