terça-feira, 14 de junho de 2011

Fiel no pouco

Nem sei quantas vezes na vida nos encontramos nesse meio caminho do não sei o que fazer, não sei que atitude tomar e a vontade de estar lá e cá ao mesmo tempo.
Há situações assim, que colocam nosso eu contra nosso eu, nosso coração contra nossa razão, a emoção que grita escancaradamente e a cabeça teimando em ficar no seu lugar.
Essas coisas são humanas, são parte da carga de cada um de nós, são esses caminhos desconhecidos que queremos evitar e descobrir ao mesmo tempo.
E se pedimos do alto a sabedoria, vamos acertando aqui e ali, de maneira que nossas quedas não sejam tão dramáticas que não possam ser curadas por Mãos amorosas.
Mas, se da vida para a vida é assim, do homem para Deus é diferente.
Não há meio caminho para o céu, não existe estar aqui e ali, não deve haver o acreditar um pouco, o estar morno e isso é bom.
Deus pede nosso coração, não parte dele;
Deus pede nosso ser e não o que sobra dele;
Deus pede nosso tempo e não os restos que podemos dar.
Ele nos deixa, creiam, o suficiente para que tenhamos para nós, para que nossos dias aqui na terra sejam saciados pelos nossos desejos humanos e naturais.
Foi Deus quem nos deu o amor e a capacidade de amar.
As dores que resultam são o preço a pagar e isso vale todas as penas do mundo.
A nossa fidelidade para com Deus deve ser total.
Os que são fiéis no muito o devem ser no pouco e no quase nada.
Não existem meios pecados, meias culpas cheias de meias desculpas.
Quem erra uma vez tem sua culpa, mas quem erra duas vezes no mesmo caminho não tem muitas desculpas.
Deus não exige que sejamos perfeitos, Ele pede apenas que sejamos fiéis e tenhamos como meta nos assentar no trono da Graça.
Podemos, com os olhos fixos na cruz, mostrar nossa fidelidade nos pequenos atos do dia-a-dia, nas pequenas decisões, nos pequenos caminhos que escolhemos ou evitamos.
Fiel no pouco, fiel no muito.
O Caminho para o céu é um só e ou estamos nele, ou fora dele.
Diz a bíblia que quem com Deus não ajunta, espalha.
Pensamos pouco sobre isso e agimos menos ainda.
Mas não estamos perdidos completamente, pois Deus conhece a sinceridade do nosso coração e nos afaga, nos aproxima dele, nos pega nos braços e nos traz para junto de Si.
Tudo é uma questão de crer e isso de todo coração, toda a alma e todo o entendimento.

TEXTO: Letícia Thompson

Viver consigo mesmo

Deus chama cada um de nós pelo nosso próprio nome.
Isso define nossa identidade e nossa individualidade.
Ninguém foi feito para viver só e poucas coisas são tão pesadas quanto o vazio da solidão.
Paradoxalmente, para se viver bem com outros é fundamental viver bem consigo mesmo.
Ninguém é vida de ninguém.
Ninguém e nada deve ser a vida de alguém.
A dependência de alguém ou de alguma coisa para o que quer que seja, tira nossa liberdade de ser, possuir e alcançar frutos que só pertencem a nós.
Privilegiados são os momentos que passamos com a família, colegas, amigos e pessoas que amamos.
E privilegiados também devem ser aqueles instantes necessários à nós mesmos, não quando nos bastamos, mas quando nos satisfazemos, sem a espera de um fator exterior que venha mudar nosso humor, nosso olhar do mundo.
O que precisamos aprender é que somos parte integrante do mundo, como células individuais que formam um corpo e dão sentido a um grupo inteiro.
As pessoas que depositam a felicidade, esperança e amor nas mãos de outros são as que se decepcionam com mais frequência e correm o grande risco de viver aleijadas no depois, quando a felicidade não chega, a esperança voa e o amor pousa em outros lugares.
É no silêncio que ouvimos as batidas do nosso coração.
É quando outras vozes se calam que a nossa voz interior fala mais alto e profundamente e aprendemos o valor da vida.
Jesus retirava-se de vez em quando para orar.
Se nos montes ou nos desertos, mostrou que momentos em que passamos sós não nos anulam ou diminuem, mas enriquecem quem somos e fortalecem os vínculos com nosso Criador.
Quem aprende a estar consigo, aprende a estar com os outros.
Quem se conhece, dá mais de si.
Aquele que vive bem com a vida não espera que façam, ele faz e o mundo acontece.

TEXTO: Letícia Thompson

O Chuchu

Era só um Chuchu, meio apodrecido em uma das pontas, era candidato perfeito ao lixo.
Mas, mesmo sem acreditar muito naquele Chuchu, uma pessoa abriu uma cova no chão e plantou-o desajeitadamente, sem esperar nada em troca.
Deixou ali e esqueceu-se do pobre...
Algum tempo depois, desafiando a sua própria condição, o Chuchu faz sair das entranhas da terra, o seu primeiro caule que logo busca algo para sustentar a sua escalada.
Livre, abençoado pelos raios de sol, acariciado pelo vento e saciado pelas gotas do orvalho, ele cresce um pouco mais forte a cada dia.
Um belo dia, aquele homem que plantou o Chuchu, vê alguns pequenos frutos pendurados na bela rama verde que cerca o muro, e pouco tempo depois, o pé carregado de belos chuchus, serve de refeição para a sua família e de muitos vizinhos que impressionados pela beleza daquela plantação se aproximam e pedem alguns.
É assim, que de um simples chuchu que ninguém dava nada, um monte de gente se alimenta dos seus frutos.
Bastou uma pessoa acreditar, uma única pessoa fazer um gesto positivo, depositando um pouco de confiança naquele chuchu e ele, usando toda a carga genética que havia dentro dele, utilizando-se da força que a terra, á água, o sol e todos os elementos disponíveis naquele ambiente, transformou-se de quase morto em alimento vivo, que produz, dá frutos e gera nova vida.
Assim é você!
Pode ser que hoje, você esteja se sentindo um 'Chuchu velho', semi-apodrecido, abandonado e sem valor, ou ainda, acreditando que jamais produzirá bons frutos, pois lhe falta oportunidades, que lhe falta uma pessoa que acredite em você...
Pois eu lhe digo, Deus acredita em você, e lhe dá todos os dias, um pedacinho de terra fértil, para que você desenvolva o seu poder, esse poder que já está ai dentro, armazenado em sua alma, que os 'biólogos geneticistas' chamam de herança genética, e que os anjos chamam de 'lembrança divina', brote, dê frutos e espalhe suas sementes pelo mundo, vencendo obstáculos.
Não desista de nenhum dos seus sonhos sem antes tentar exaustivamente realizá-los de maneira satisfatória.
Você tem um voto de confiança Divino que através da Vida, coloca a sua disposição, a terra, o ar, a água, o fogo, o vento, a natureza como um todo para que você possa progredir.
Trabalhe, esforce-se, faça como o Chuchu que se agarra até no improvável concreto, usando de uma força descomunal para fazer com que os seus frutos brotem saudáveis e tão desejados.
Ah! e se você não gosta de Chuchu, não se preocupe, o mundo também é assim com as pessoas, não existe unanimidade entre os povos, nem Jesus agradou a todos, imagine o Chuchu, quer dizer, você.
O importante é realizar a sua tarefa com a certeza de que está fazendo o seu melhor, na certeza de que você não desistiu na primeira chuva forte, nem desanimou diante dos conselhos medíocres de quem só tem inveja de você.
Seja então como o Chuchu que com um voto de confiança cresce, frutifica e alimenta muitos, ainda que com tão pouco.
Se lhe faltava um voto de confiança, se lhe faltava um crédito de vitória, eis que Deus lhe envia hoje esta singela mensagem, dizendo bem no 'no pé do seu ouvido', só para você escutar:
- Eu te amo e sei que podes vencer!

TEXTO: Paulo Roberto Gaefke

O coração é um sonhador

Quando buscamos no passado as razões para a felicidade do presente, enganamos a nós mesmos.
Aquilo que ficou ao longo do nosso caminho, ou não era nosso, ou não soubemos carregar.
O fato é que ficaram para trás e a vida não nos permite a volta no tempo.
O hoje é o agora, as nuvens que encobriram o sol, a solidão buscada ou indesejada e a esperança de que amanhã seja tudo diferente.
O hoje é aquilo que não sabemos aproveitar porque gastamos nossas energias a pensar no que perdemos ou não temos.
Nada podemos construir se estamos ocupados com outras coisas.
O coração é um sonhador.
É preciso ter cuidado com ele.
Se ele torna a vida mais doce e suave, pode conduzir também a perdições.
O coração não tem raízes e de raízes precisamos.
Devemos ser como as árvores, fincadas no chão, com os braços e a cabeça abandonados ao vento.
Da realidade tiramos nosso alimento, nossas lições, nosso sal tão necessário ao equilíbrio da vida; dos nossos sonhos, tiramos nossos momentos de evasão, aquilo que nos permite, no fim de tudo, viver e sobreviver.
É quando as árvores perdem suas folhas e parecem feias e abandonadas, que se preparam para algo novo.
Sonhos chegam e sonhos se vão, mas as raízes continuam fincadas no chão.
Quando olhamos para o passado, as coisas parecem bem mais perfeitas do que eram realmente, porque o sabor doce é o que gostamos de prolongar.
Só que passado não volta, mesmo se vive escondido no coração.
O hoje é o hoje, com todas as dores e todos os amores acumulados.
O hoje são os filhos, o trabalho, a idade que não perdoa, o tempo que não conseguimos segurar.
O coração sonha e é bom que seja assim.
Precisamos disso.
Precisamos desse momento de repouso, dessa pausa que nos dá coragem para dar um passo a mais.
Mas ele não pode nos perder, não pode jogar fora o que foi construído e o que nos pertence.
Se devemos caminhar, tem que ser daqui para a frente; se devemos reconstruir, tem que ser daqui para a frente; se devemos recomeçar, tem que ser com aquilo que possuímos e não com sonhos que não se realizaram no passado e parecem estar à nossa espera.
Temos que viver o hoje e assumir a vida de forma inteira e incondicional.
Só quando vivemos dentro da realidade é que conseguimos seguir em frente de maneira equilibrada.
A vida é dom de todos nós.
Se é mais curta, melhor ou mais interessante para uns que para outros, isso não é importante.
Pegamos o que nos é dado e por isso devemos ser agradecidos.
Antes de dar a chance ao coração de falar um pouco mais alto, coloque-o em ordem.
Não o compare, nem compare-se com ninguém, pois cada qual é dono do seu próprio caminho.
Siga, sem olhar para trás e nem para os lados.
Seja, com o que possui, simplesmente, feliz!

TEXTO: Letícia Thompson